Mais da metade dos brasileiros já compraram produtos influenciados por recomendações de inteligência artificial
Ferramentas de IA já fazem parte da jornada de compra de 66% dos consumidores, aponta pesquisa
Já não é mais novidade que as inteligências artificiais estão cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros, seja para estudar, trabalhar ou buscar informações do dia a dia. Agora, as ferramentas também começam a ganhar espaço em um momento importante da vida do consumidor: a decisão de compra.
Um novo levantamento da Branddi, empresa especializada em proteção de marcas no ambiente digital, revela que 5 em cada 10 brasileiros (54%) já compraram algum produto ou serviço influenciados diretamente por recomendações feitas por inteligências artificiais. Desses, 34% afirmam já ter realizado compras mais de uma vez com influência das ferramentas, enquanto 20% fizeram isso uma vez. Além disso, uma parcela significativa (27%) indicou que ainda não utilizou a ferramenta para esse fim, mas faria.

O hábito também revela um novo comportamento relacionado a um processo que antecede a compra. Embora os buscadores, como o Google, ainda sejam a principal fonte de consulta de informações sobre produtos e serviços (72%), o uso de inteligências artificiais já é significativo e vem ganhando cada vez mais espaço: 66% dos entrevistados afirmam utilizar IA para pesquisar produtos e serviços, sendo que 38% fazem isso com bastante frequência e 28% afirmam usar em todas as vezes.
O movimento indica uma mudança gradual na forma como os consumidores pesquisam produtos online, com as inteligências artificiais passando a ocupar um papel que antes era concentrado em buscadores tradicionais, sites de reviews e influenciadores digitais.
As finalidades do uso também variam: entre os principais objetivos estão tirar dúvidas sobre características dos produtos (62%), buscar recomendações personalizadas (54%) e comparar preços e funcionalidades (48%).
Segundo Diego Daminelli, CEO da Branddi, o avanço das inteligências artificiais na jornada de compra mostra uma mudança importante no comportamento digital do consumidor: “Hoje, muitos consumidores já enxergam as inteligências artificiais como uma espécie de assistente de compras. Elas ajudam a economizar tempo, comparar opções e reunir informações de maneira mais rápida, o que torna natural que passem a influenciar decisões de consumo”.
“O ponto de atenção é que essa relação ainda está em construção. Muitas pessoas utilizam as ferramentas acreditando que todas as recomendações são totalmente neutras ou precisas, quando, na prática, existem limitações, vieses e até riscos envolvendo informações incorretas”, explica.
Preocupações e riscos de golpes
Apesar da presença crescente das inteligências artificiais na jornada de compra, os consumidores ainda demonstram algumas inseguranças em relação ao uso das ferramentas nesse contexto. Entre as principais preocupações apontadas pelos entrevistados estão o risco de receber informações incorretas (45%), o uso indevido de dados pessoais (36%), indicações tendenciosas ou publicidade disfarçada (30%) e a divulgação de golpes ou fraudes (28%).
A dificuldade de identificar se uma recomendação feita por IA é realmente neutra também aparece como um desafio relevante. Segundo dados da pesquisa, 45% dos respondentes afirmam já ter tido dificuldade para entender se uma sugestão apresentada pela inteligência artificial era imparcial ou patrocinada. Em contrapartida, 29% afirmam nunca ter enfrentado esse problema.

“As inteligências artificiais ainda estão em um processo acelerado de evolução, e os consumidores precisam manter um olhar crítico sobre as recomendações recebidas. Nem toda indicação representa, necessariamente, a melhor opção disponível ou uma fonte confiável. O cuidado deve ser ainda maior em situações que envolvam promoções muito vantajosas, links externos ou pedidos de dados pessoais. Golpistas acompanham tendências digitais e rapidamente adaptam suas estratégias aos novos hábitos dos consumidores”, alerta Daminelli.
“Nos próximos anos, a tendência é que as inteligências artificiais tenham ainda mais influência sobre decisões de compra. Por isso, transparência sobre publicidade, responsabilidade no tratamento de dados e mecanismos de verificação serão fundamentais para fortalecer a confiança dos consumidores nesse novo cenário digital”, finaliza.
Metodologia
- Público: foram entrevistados 500 brasileiros de todos os estados do país, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 18 anos e de todas as classes sociais.
- Coleta: os dados do estudo foram levantados via plataforma de pesquisas online. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
- Data de coleta: realizada no dia 12 de janeiro de 2026.
Texto original: Conversion