Consumidores buscam marcas que inspiram evolução e rejeitam mensagens genéricas, aponta estudo da dentsu
. Com base em insights de 30 mil consumidores em 25 mercados, o estudo revela como a IA está impulsionando novas expectativas sobre aprendizado, reinvenção pessoal e o papel das marcas
. Brasileiros enxergam IA como ferramenta de ascensão pessoal; 73% querem transformar talentos e paixões em renda principal
O relatório Consumer Vision: Mothers of Reinvention (“Mães da Reinvenção”), da dentsu, explora as transformações que devem remodelar tecnologia, cultura, consumidores e marcas nos próximos cinco a dez anos. A pesquisa mostra que os consumidores esperam marcas mais presentes em suas jornadas de evolução pessoal, capazes de ajudá-los a aprender, se reinventar e explorar novas possibilidades em um contexto cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.
Realizado com 30 mil pessoas em 25 países, o estudo mostra que a diferenciação das marcas será cada vez menos impulsionada por conveniência e mais por significado, criatividade e conexão emocional.
Enquanto 87% dos consumidores afirmam que as marcas mais memoráveis serão aquelas que os ajudarão a evoluir e se transformar, 78% já demonstram menor tolerância a mensagens genéricas.
Além da pesquisa quantitativa, a dentsu entrevistou 20 especialistas e futuristas das áreas de sociologia cultural, legislação sobre IA e psicologia do consumidor para compreender as disrupções e inovações mais prováveis nos próximos anos.
Para se manterem relevantes, as marcas precisarão criar experiências inspiradoras e emocionalmente ressonantes, refletindo as expectativas de 81% dos consumidores, que desejam que suas compras não sejam apenas um meio para um fim, mas experiências capazes de ajudá-los a desenvolver seu potencial. Ao mesmo tempo, o crescimento dependerá do equilíbrio entre escala, personalização, confiança e integridade, especialmente porque 9 em cada 10 consumidores afirmam que, à medida que os algoritmos se tornam mais individualizados, será ainda mais importante que as marcas sejam consistentes com seus valores e ações.
Os consumidores também esperam que a IA funcione como uma parceira capaz de ampliar habilidades, acelerar aprendizados e cocriar resultados alinhados à individualidade de cada pessoa.
Entender o que está por vir deixou de ser apenas um diferencial para as marcas; tornou-se uma necessidade. Em outro estudo da dentsu publicado no início deste ano, o CMO Navigator – Media Edition: Rethinking Marketing in the Age of AI, 56% dos chief marketing officers (CMOs) globais afirmaram que, daqui a cinco anos, a maior parte da receita de suas empresas virá de produtos, serviços e negócios que ainda nem existem.
Para Beth Ann Kaminkow, “o que se destaca nas conclusões deste ano é que os consumidores não esperam apenas que as marcas se tornem mais inteligentes e ágeis; eles buscam marcas que possam ajudá-los a progredir pessoalmente e a perseguir suas ambições. Há um desejo crescente de se reinventarem, com as marcas fornecendo inspiração e orientação ao longo dessa jornada.”
No Brasil, IA é vista como ferramenta de reinvenção e ascensão pessoal
No Brasil, os dados revelam uma relação particularmente otimista com a tecnologia e a inteligência artificial, especialmente quando associadas à evolução pessoal, bem-estar e transformação da vida profissional.
O estudo mostra que os brasileiros enxergam a IA como uma ferramenta de ascensão pessoal e empreendedorismo. Entre os entrevistados no país, 64% afirmam ter interesse em mudar de carreira, enquanto 73,25% dizem estar tentando monetizar seus talentos e criatividade para transformar paixões em sua principal fonte de renda.
A expectativa em torno da IA também aparece associada à personalização e ao uso de agentes inteligentes no cotidiano. Para 87,75% dos brasileiros, será possível utilizar agentes pessoais de IA capazes de produzir respostas e resultados alinhados às preferências e ao histórico individual de cada usuário. Além disso, 81% acreditam que a IA conseguirá traduzir conteúdos em tempo real preservando personalidade, intenção e estilo próprios.
O levantamento também aponta forte otimismo dos brasileiros em relação ao uso da tecnologia para saúde e qualidade de vida. Para 91% dos entrevistados, a tecnologia será capaz de detectar precocemente não apenas doenças físicas, mas também sinais de estresse emocional. Já 86,25% acreditam que os avanços em tecnologia e saúde tornarão o envelhecimento menos debilitante na próxima década.
Segundo Marília Gallindo, diretora de estratégia da Dentsu Brasil, o destaque do Consumer Vision 2026 está na forma como a IA começa a reorganizar a relação entre consumidores, marcas e tomada de decisão. “O brasileiro demonstra uma visão bastante pragmática e otimista sobre esse cenário, enxergando a IA como ferramenta de ascensão pessoal, reinvenção profissional e ampliação de possibilidades.”
“Mesmo em ritmos diferentes, as pessoas já começam a incorporar a IA ao cotidiano da mesma forma que fizeram com a internet, os smartphones e as redes sociais. Por isso, embora muitas dessas mudanças ainda pareçam futuras, o momento de testar, aprender e entender o papel da IA nos negócios e na experiência do consumidor é agora”, completa Marília.
As quatro grandes forças apontadas pelo estudo
Desenhado como uma bússola estratégica para profissionais de marketing, Mothers of Reinvention analisa como a crescente exposição das pessoas à IA, as mudanças nas expectativas em torno de originalidade e confiança, e as novas percepções sobre progresso e identidade estão redefinindo o que os consumidores esperam das marcas. A partir disso, o estudo identificou quatro grandes forças para as quais as empresas precisam começar a se preparar desde já:
FORÇA 01: O FUTURO DA TECNOLOGIA – SISTEMAS SIMBIÓTICOS
A IA está deixando de ser apenas uma ferramenta para se tornar uma parceira, com consumidores cada vez mais dependentes de agentes que atuam em seu nome. Isso cria uma nova dinâmica, na qual as marcas precisam se conectar não apenas com as pessoas, mas também com os agentes que as representam em diferentes meios e ambientes de mídia.
FORÇA 02: O FUTURO DA CULTURA – CRIATIVIDADE DESPERTADA
À medida que a IA acelera a criação de conteúdo, a originalidade se torna ainda mais valiosa. Os consumidores estão dando mais importância à criatividade humana e esperam que as marcas a apoiem e recompensem ativamente.
FORÇA 03: O FUTURO DOS CONSUMIDORES – REINVENÇÃO INFINITA
Os consumidores estão deixando de comprar por necessidade para comprar com base naquilo que desejam se tornar. Com o apoio da IA e de novas ferramentas, eles estão constantemente experimentando novas identidades, comportamentos e estilos de vida, ao mesmo tempo em que buscam conexão humana por meio do entretenimento e de grandes momentos culturais.
FORÇA 04: O FUTURO DAS MARCAS – MARCAS GUIA (WAYFINDER BRANDS)
Nesse contexto, o papel das marcas está evoluindo. As marcas mais eficazes não vão apenas responder à demanda, mas atuar como guias, ajudando os consumidores a navegar pelas mudanças e a explorar novas possibilidades.
Esta edição do Consumer Vision se baseia no foco contínuo da dentsu em compreender o comportamento do consumidor e o crescimento de marcas no longo prazo, incluindo iniciativas como o estudo The Brand Reset, desenvolvido em parceria com a Lumen Research e a Kantar. O projeto relaciona atenção e eficácia em vídeo aos resultados de marca no longo prazo, reforçando o investimento contínuo da dentsu em transformar sinais emergentes em estratégias práticas de crescimento.
Este é o terceiro volume da série Consumer Vision, disponível aqui.
Sobre a pesquisa
O Consumer Vision é feito a partir da plataforma global de inteligência da dentsu e combina pesquisas de consumo exclusivas e proprietárias com a contribuição de especialistas. O estudo foi realizado com consumidores em 25 mercados: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Filipinas, Portugal, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Taiwan, Tailândia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã.
Texto original: Buzzing