“AI search”: cinco passos para marcas começarem a se preparar para a nova lógica das buscas online
A forma como as pessoas buscam informações na internet está passando por uma transformação profunda. Com o avanço da inteligência artificial generativa e das novas experiências de resposta direta no Google, a plataforma vem evoluindo de um modelo baseado em links para um ambiente capaz de interpretar perguntas, cruzar dados e entregar respostas mais completas e contextualizadas.
Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma nova lógica de descoberta que reposiciona o papel das marcas no ambiente digital. Em vez de apenas disputar espaço em resultados, passa a ser fundamental construir relevância, consistência e confiança em um ecossistema cada vez mais mediado por inteligência artificial.
Esse movimento já começa a impactar o comportamento do usuário e a dinâmica do consumo de conteúdo. De acordo com a consultoria Gartner, o crescimento das soluções de IA generativa pode levar a uma redução significativa no volume de buscas tradicionais, à medida que respostas diretas ganham espaço.

“Estamos vendo a busca se transformar em uma camada de inteligência que organiza e interpreta informações. Isso muda completamente a forma como as marcas precisam pensar sua presença digital”, afirma Letícia Bernardino, Associate Partner e SEO Manager na Cadastra.
Para empresas e profissionais de marketing, o desafio deixa de ser apenas aparecer nos resultados e passa a ser contribuir efetivamente para a construção das respostas.
A seguir, a especialista da Cadastra destaca cinco movimentos essenciais para se preparar para esse novo cenário:
- Reforce o papel da marca como fonte confiável
Em um cenário em que a inteligência artificial seleciona e sintetiza informações, a confiança se torna um dos principais ativos das marcas. Mais do que produzir conteúdo, é fundamental garantir consistência, qualidade e credibilidade em tudo o que é publicado. “À medida que a IA passa a intermediar o acesso à informação, marcas que já são reconhecidas como fontes confiáveis tendem a se destacar naturalmente nesse ambiente”, afirma Letícia. - Organize a informação de forma clara e consistente
A nova dinâmica da busca exige que as informações estejam bem estruturadas, conectadas e fáceis de interpretar, não apenas para usuários, mas para sistemas que cruzam dados e constroem respostas. “Não se trata apenas de produzir conteúdo, mas de garantir que ele esteja organizado de forma lógica e consistente, facilitando sua compreensão em diferentes contextos”, explica a executiva. - Expanda a presença para além dos canais próprios
A construção de relevância passa por um ecossistema mais amplo. “A presença digital deixa de estar concentrada em um único canal”, afirma Letícia. Estar em diferentes plataformas, gerar conversas qualificadas e manter consistência nas mensagens fortalece a percepção de marca. “O reconhecimento vem da consistência e da forma como a marca aparece em diferentes ambientes.” - Evolua a forma de medir impacto
Com a busca entregando respostas cada vez mais completas, o papel dos canais digitais muda e as métricas também precisam acompanhar essa transformação. “O volume de acessos deixa de ser o único indicador relevante”, explica a executiva. É preciso olhar para a qualidade das interações e para o impacto real na decisão do usuário, considerando toda a jornada. - Reposicione o papel do conteúdo na jornada do consumidor
Se parte das respostas já é entregue diretamente na busca, o conteúdo precisa assumir um papel mais estratégico ao longo da jornada, apoiando decisão, consideração e relacionamento com a marca. “A presença digital passa a ser menos sobre atrair cliques e mais sobre construir uma experiência consistente e relevante ao longo de toda a jornada”, conclui Letícia.
Texto original: Dfreire