O custo invisível das experiências ruins com IA, por Mario Marchetti*
A inteligência artificial se tornou prioridade estratégica em praticamente todos os setores. Empresas investem em automação, agentes virtuais e experiências conversacionais com a expectativa de ganhar eficiência, reduzir custos e acelerar atendimento.
Mas existe um efeito colateral que começa a ganhar força no mercado: o custo invisível das experiências ruins com IA. Bots mal treinados, respostas genéricas, falta de contexto e jornadas fragmentadas não geram apenas frustração momentânea. Eles corroem confiança, desgastam reputação e aumentam churn de forma silenciosa.
O problema é que muitas organizações ainda medem sucesso apenas pela capacidade de automatizar interações. Automatizar, porém, não significa necessariamente melhorar experiência. Quando a IA falha em compreender intenção, insiste em respostas repetitivas ou impede o acesso rápido ao atendimento humano, a percepção do consumidor muda rapidamente. O que deveria transmitir inovação passa a gerar distanciamento.
Existe uma diferença importante entre eficiência operacional e qualidade relacional. O consumidor atual aceita interações automatizadas. O que ele não aceita é sentir que está preso em um labirinto digital sem saída. Em um ambiente cada vez mais competitivo, experiências ruins não terminam na conversa frustrada. Elas impactam recompra, fidelização e recomendação de marca.
O paradoxo é que, enquanto empresas investem milhões para fortalecer a experiência do cliente, algumas acabam deteriorando exatamente esse ativo por implementações apressadas de IA. A nova geração de consumidores valoriza velocidade, mas também contexto, continuidade e resolução real. Isso exige modelos mais sofisticados de inteligência conversacional, capazes de entender histórico, intenção e momento da jornada.
Outro ponto importante é que IA não elimina a importância do fator humano. Na verdade, ela aumenta a necessidade de intervenções humanas mais qualificadas e estratégicas. O futuro do atendimento não será totalmente automatizado nem totalmente humano. Será híbrido.
As empresas mais bem-sucedidas serão aquelas que entenderem que IA não deve funcionar como barreira entre marca e consumidor, mas como facilitadora de relacionamento. Porque, no final, clientes raramente lembram qual tecnologia foi usada. Eles lembram apenas de como a experiência os fez sentir.
*Mario Marchetti é CEO LATAM da Sinch