Agentic commerce: a era em que a IA assume o carrinho
Agentes inteligentes assumem etapas da compra, reduzem fricções e reposicionam o papel das marcas no ambiente digital
A inteligência artificial pode elevar em até 40% o valor do comércio global até 2040, segundo estimativas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O dado antecipa a dimensão de uma transformação já em curso: o agentic commerce, modelo em que sistemas autônomos executam decisões de compra em nome do consumidor, da descoberta ao pagamento, sem navegação tradicional.
Com essa dinâmica, o consumidor passa a delegar a assistentes de IA tarefas como pesquisa, comparação de preços e seleção de produtos. Esses sistemas compreendem preferências, analisam contexto e conduzem o processo de compra de forma contínua e conversacional.
O Google Shopping, por exemplo, ilustra os primeiros passos dessa transição, com recursos de IA que filtram, comparam e sugerem opções de forma granular, atuando de forma autônoma na etapa de descoberta. A execução completa da compra, incluindo pagamento, ainda depende do consumidor. É exatamente aí que o agentic commerce avança, ao estender essa autonomia até a finalização da transação, sem intervenção humana.
“O que começa a mudar não é a centralidade do consumidor, mas o tipo de suporte que ele recebe e a forma como participa da jornada. Em um ambiente progressivamente mediado por IA, ele tende a concentrar menos energia na execução de cada etapa e mais na definição de contexto, preferências e objetivo de compra”, afirma Paulo Lelis, sócio-CIO da Lope Digital Commerce.
Texto original: Noar