Dez fatos que já estão redefinindo o consumo na América Latina e moldam o mercado de 2026
O consumo na América Latina entrou em 2025 sob forte pressão, marcado por orçamentos mais apertados, decisões de compra mais racionais e consumidores cada vez mais estratégicos. Ainda assim, por trás desse cenário desafiador, surgem padrões claros que ajudam a explicar o presente e, sobretudo, antecipar os movimentos que devem definir o mercado em 2026. Essa é a principal conclusão do novo vídeo divulgado pela Worldpanel by Numerator Latam, que reúne dez fatos-chave sobre o comportamento do shopper na região e foi desenvolvido a partir dos dados do estudo periódico Consumer Insights Latam.
A análise, baseada em dados contínuos de consumo em diversos países latino-americanos, aponta que eficiência, busca por valor e polarização passaram a orientar de forma estrutural as decisões de compra. Após 11 trimestres consecutivos de crescimento, o volume de bens de consumo de giro rápido (FMCG) começa a caminhar para um patamar de maior estabilidade, com desaceleração observada na maioria dos mercados da região ao longo de 2025.
Um dos movimentos mais evidentes do período foi a redução na frequência de compras, acompanhada por carrinhos mais cheios. A alta da inflação em FMCG levou os consumidores a compensar o aumento de preços com a diminuição do número de unidades adquiridas por visita, comportamento que não foi totalmente neutralizado por um aumento na frequência. Esse padrão se intensifica em um contexto de incerteza econômica e de anos eleitorais em vários países da América Latina, que tendem a aprofundar o planejamento financeiro doméstico e a cautela nas decisões de consumo. Paralelamente, os lares passaram a circular por um número maior de canais ao longo do ano, comparando preços, formatos e oportunidades antes de concluir a compra.
Em todos os países analisados, o custo-benefício se consolidou como o principal critério de decisão. Essa lógica se reflete na reorganização do mercado por faixas de preço: marcas econômicas registraram crescimento relevante nas ocasiões de compra, assim como as marcas próprias, enquanto o segmento intermediário perdeu espaço. Atacarejos e lojas de desconto avançaram tanto em penetração quanto em frequência, reforçando seu papel central na rotina de compras e redefinindo o conceito de conveniência para o consumidor latino-americano. No Brasil e na Argentina os atacarejos são o grande destaque, enquanto as lojas de desconto despontam em países como Equador, com um salto de 7% em penetração, bem como no México e na Colômbia.
O e-commerce manteve uma trajetória de expansão consistente ao longo de 2025, registrando um salto de 29% para 43% em penetração em um ano na América Latina, sendo a cesta de personal care a de maior contribuição de crescimento vinda do e-commerce. Tal movimento foi impulsionado também pela intensificação da disputa entre grandes plataformas globais e regionais pela liderança no mercado latino-americano. A competição crescente acelera investimentos em logística, sortimento e experiência, ampliando a atratividade do canal. Mesmo partindo de uma base menor em relação ao varejo físico, o comércio eletrônico seguiu atraindo novos compradores e contribuiu de forma desproporcional para o crescimento total do mercado de bens de consumo, consolidando-se como um vetor estratégico para 2026.
Outro destaque foi o avanço do chamado efeito “high–low”. Marcas premium e marcas próprias cresceram simultaneamente, enquanto marcas de posicionamento intermediário enfrentaram maior pressão. Esse movimento revela um consumidor mais seletivo, que alterna entre economia e indulgência conforme a ocasião, e ajuda a explicar a queda nas taxas de recompra das marcas comerciais. Nesse cenário, a lealdade se tornou mais difícil de conquistar e ainda mais desafiadora de manter para as marcas comerciais: o consumidor latino comprou, em média, 106 itens de marcas próprias em 2025, com um crescimento de 5% em frequência de compra.
As preocupações com saúde ganharam ainda mais relevância ao longo de 2025. Produtos com baixo teor ou sem açúcar deixaram de ser diferenciais e passaram a ocupar o território do essencial, impulsionados pela intenção declarada de quase metade (46%) dos lares latino-americanos de reduzir o consumo de açúcar. Em todos os países analisados houve aumento do consumo de produtos com baixo teor ou sem açúcar nos últimos seis anos, com destaque para Brasil, onde o índice de penetração de consumo desses alimentos e bebidas passou de 35% em 2019 para 71% em 2025; México, de 38% para 67% e Equador, de 44% para 74%. O movimento dialoga com mudanças mais amplas no cuidado com a saúde, no controle metabólico e no envelhecimento ativo. A demanda por proteína permaneceu elevada, beneficiando categorias associadas à nutrição cotidiana, como iogurtes e produtos funcionais. De acordo com a pesquisa, 55% dos lares latino-americanos planejam manter o consumo de proteínas e 11% desejam aumentar.
Por fim, a categoria de alimentos para pets se consolidou como um dos motores mais resilientes do consumo na região. Transformações demográficas profundas ajudam a explicar esse avanço: atualmente, cerca de 25% da população latino-americana tem 50 anos ou mais, e os lares com uma ou duas pessoas já representam aproximadamente 20% do total, número que cresceu de forma expressiva nas últimas décadas. Com famílias menores, envelhecimento populacional e queda nas taxas de natalidade, os animais de estimação ocupam um espaço cada vez mais central na dinâmica familiar, impulsionando o crescimento do segmento em penetração, com avanço de 9% em valor e 7% em unidades no último ano.
Segundo a Worldpanel by Numerator, esses fatos deixam claro que o futuro do consumo na América Latina estará cada vez menos associado ao crescimento populacional e mais ligado à reconfiguração dos lares, das idades e dos estilos de vida. Em um cenário de mudanças rápidas e estruturais, as marcas que ajustarem portfólio, canais e execução aos novos padrões de comportamento do shopper estarão mais bem posicionadas para liderar o mercado em 2026.
Texto original: AD Comunicação & Marketing