Sem API e sem uso corporativo, lançamento de voz da OpenAI ainda assim pode redesenhar o atendimento ao cliente
GPT-Live, anunciado pela OpenAI nesta semana, resolve o maior entrave técnico da IA por voz – a conversa em turnos – e reacende a corrida por interfaces mais naturais; especialista aponta o que muda (e o que ainda falta) para call centers
A OpenAI lançou nesta semana o GPT-Live, nova geração de modelos de voz que ouvem e falam ao mesmo tempo, em vez de operar em turnos rígidos de pergunta e resposta. A mudança técnica – chamada de arquitetura full-duplex – ataca diretamente o problema que, até hoje, fazia qualquer interação por voz com inteligência artificial soar mais como um walkie-talkie do que como uma conversa real.
O lançamento, por enquanto, está restrito ao ChatGPT para consumidores, em iOS, Android e web, sem acesso via API e sem disponibilidade para contas Business ou Enterprise. Para especialistas em atendimento ao cliente, no entanto, o avanço técnico é o que importa: pela primeira vez, uma IA de voz em escala consegue processar áudio continuamente enquanto formula respostas, decidindo a cada fração de segundo se deve falar, ouvir, pausar ou acionar uma ferramenta em segundo plano.
“Usar IA por voz no atendimento sempre foi um pouco como comprar um carro elétrico em 2020: o movimento era inevitável, mas a experiência ainda não estava pronta”, diz André Fossa, cofundador da Cogni2, startup brasileira de IA generativa para atendimento, e ex-CDO da Nextel. “O lançamento da OpenAI ainda não chega às operações de call center, mas resolve exatamente o problema técnico que travava esse mercado. A autonomia aumentou, falta a infraestrutura de recarga, que nesse caso é a API para empresas”, conclui.
Texto original: Mention