3 tendências de IA para o setor de consórcios
Com novas soluções de agentes IA, setor avança rumo à automação completa, reduzindo custos e ganhando escala
A inteligência artificial vem transformando a dinâmica de diversos setores, e o mercado de consórcios no Brasil não é exceção. Em 2024, o segmento alcançou seu maior volume de vendas em duas décadas, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). Com um mercado mais maduro e competitivo, administradoras têm buscado soluções tecnológicas que garantam eficiência operacional, escalabilidade e uma experiência cada vez mais digital para o cliente.

Nesse contexto, a aplicação de IA no setor deixa de ser uma possibilidade futura e passa a representar um movimento em curso. Para Fernando Wolff, CEO e fundador da Tech for Humans, consultoria especializada em simplificar agentes de IA e jornadas digitais, a adoção de agentes inteligentes é uma realidade em fase de expansão. “O setor de consórcios sempre lidou com jornadas complexas, alta carga operacional e dependência de terceiros, como cartórios. Hoje, com agentes de IA e agentes de tarefas, já conseguimos entregar jornadas automatizadas, com ganhos significativos de custo, tempo e experiência para o cliente”, afirma.
Com papel central na aceleração da hiperautomação, esses agentes vêm remodelando processos que historicamente eram conduzidos de forma manual. A seguir, Wolff aponta três tendências de IA que estão ganhando força no setor de consórcios.
- Jornada de contemplação e uso do crédito
Um dos pontos mais sensíveis no ciclo do consórcio é a etapa pós-contemplação, que vai da análise documental à formalização contratual e registro de garantias. Essa fase, tradicionalmente operacional e sujeita a erros, tem passado por forte processo de automação. Já é possível alcançar automação total da jornada em segmentos como automóveis e cerca de 70% no caso de imóveis. Isso se deve à combinação de tecnologias como leitura e validação documental via IA, biometria para autenticação de identidade e assinatura digital. O impacto é direto na agilidade, na redução de custos e na mitigação de falhas humanas. - Agentes conversacionais e hiperpersonalização
O atendimento ao cliente também evoluiu. Se antes os chatbots se limitavam a perguntas frequentes, hoje os agentes conversacionais conseguem executar tarefas complexas, como transferência de cotas ou renegociação em casos de cancelamento. Esses sistemas vêm ganhando protagonismo na retenção e personalização da experiência do cliente. “Esses agentes conseguem montar ofertas personalizadas em tempo real, impedindo cancelamentos e aumentando a performance do grupo”, destaca Wolff. A tendência está alinhada a um movimento global de hiperpersonalização — apontado por consultorias como a McKinsey — que associa abordagens individualizadas a ganhos de até 30% no ROI de marketing. - Cartórios e processos de alienação
Por fim, uma tendência que começa a se consolidar envolve a digitalização dos trâmites legais, como registros de alienação e baixa de bens. Atualmente, muitas dessas etapas ainda dependem de RPA e integrações pontuais, mas o setor avança rumo a modelos mais robustos de validação digital. O uso de tecnologias como blockchain tem sido discutido como forma de garantir integridade documental e validade jurídica, reduzindo prazos que hoje levam semanas e ampliando a confiança nas transações.
Texto original: pine.br.com