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Artigo 2.130 - Internet das Coisas (IoT) a custo zero, por Renato Carneiro
Renato Carneiro


O que você pensaria se eu dissesse que é possível realizar um projeto de IoT sem absorver os investimentos necessários em infraestrutura, como melhoria em qualidade da rede, aquisição de sensores e adequação do ambiente tecnológico existente?

Eu lhe digo: é possível. E já acontece.

O estudo de "payback", ou retorno sobre o investimento, pode revelar números desanimadores e até inviabilizar a execução do projeto, seja em empresas ou cidades. É por esse motivo que o modelo de negócios na venda de um projeto de IoT passou a ser o principal fator de sucesso das implementações que vemos na prática.

Os melhores casos que conheço de adoção de Internet das Coisas, inclusive no Brasil, ocorrem sem custo algum em infraestrutura. Nesse modelo auto-sustentável, a comercialização conjunta de mídia direcionada não só paga o investimento inicial para implementação da IoT, mas também possibilita à empresa ou administração pública uma nova fonte de receita: a venda de publicidade.

Esta é uma situação real: pense em uma frota de ônibus, onde os passageiros têm acesso à Internet e, para utilizar o serviço, precisam de um cadastro ou login social.

Ao qualificar esse usuário e mapear o seu perfil, a empresa ou o município podem comercializar um espaço de mídia assertivo, com entrega de conteúdo direcionado a cada camada de público – um vídeo de 15 segundos, por exemplo, que a pessoa é obrigada a assistir para permanecer conectada.

Ao mesmo tempo, os gestores do serviço recebem os dados de telemetria, comportamento dos motoristas, imagens de segurança e, a partir de uma plataforma de análise em tempo real dessas informações, pode informar aos cidadãos o tempo estimado para chegada do próximo ônibus em cada ponto. Tudo isso a custo zero.

Já em um shopping center, o envio de cupons de desconto pelos lojistas, para serem utilizados pelos clientes que se conectarem ao serviço de Wi-Fi, ajuda a aumentar as vendas, gerenciar melhor o fluxo de clientes e medir o desempenho de cada departamento da loja.

Ao mapear as taxas de conversão de vendas, o comerciante passa a identificar a presença de seus melhores clientes assim que entram no shopping, podendo engajá-los em campanhas direcionadas.

O mesmo conceito pode se aplicar em bares e restaurantes que são fidelizados a uma determinada marca de bebidas, ou ainda a qualquer operação de varejo que terá na gestão inteligente formas para gerar mais e novas receitas.

O fato é que nunca foi tão crucial atingir consumidores diretos de uma determinada marca, por meio de campanhas publicitárias direcionadas. E o investimento em marketing para isso nunca foi tão enxuto. Pagar a infraestrutura necessária para se conectar às coisas e aos clientes é ainda mais barato do que produzir as bolachas de papelão para cada chopp consumido nesses estabelecimentos.

Então, se você ainda enxerga o volume de investimentos em infraestrutura como uma barreira para adoção de IoT, pode começar a repensar a estratégia. De preferência, antes que o seu concorrente o faça.

Publicado em: 11/12/2015

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