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Artigo 1.666 - Da Internet que temos (IPv4)para a Internet que queremos (IPv6, por Antônio Rigo
Antônio Rigo

A Internet é um fenômeno sem precedentes. A rede cresceu de maneira tão surpreendente que qualquer previsão, por mais otimista à época do seu lançamento, seria incapaz de prever sua escalada. E note que, em 1983, foi definido um campo de endereço capaz de interligar quatro bilhões de dispositivos, mesmo tendo apenas cerca de quinhentos computadores em rede. Contrariando as expectativas dos projetistas, em 1992 surgiram as primeiras evidências de que os endereços acabariam em três ou quatro anos. Assim, foram desenvolvidas soluções para prolongar o tempo de vida do Protocolo Internet (IP), versão 4, em mais de 20 anos. O fato é que de acordo com a IANA (Internet Assigned Numbers Authority), os IPs disponíveis no estoque central se acabaramem fevereiro de 2011. Com isso, restaram apenas os depósitos regionais, com previsão de esgotamento rápido, já em meados de 2014. Foi desenvolvida, então, a versão definitiva do protocolo, o IPv6, declarado padrão em 1998. Nele, os endereços são representados por números de 128 bits. Isso significa uma disponibilidade de aproximadamente 340 undecilhões de endereços IPs, quantidade cerca de 79 mil trilhões de trilhões de vezes maior do que o espaço disponível no IPv4 -versão corrente, segundo o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Tecnicamente, a questão está resolvida? Com o objetivo de ampliar a disponibilidade de endereços, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) publicou, em 2012, a resolução que recomendava o início da troca de protocolo. Em médio ou longo prazo, é previsto que o IPv6 realmente substitua o IPv4. Já em curto prazo, a implantação do IPv6 deve ser apoiada por técnicas de transição, que permitirão auxiliar a comunicação entre os dois protocolos ativos. IPv4 e IPv6 convivem no mesmo meio físico, mas são incompatíveis. Por isso é necessário fazer intervenções na infraestrutura atual o quanto antes. Esse é o principal problema: fizemos pouco e há muito a ser feito. A transição e a qualidade da rede dependem de planejamento. O Brasil aparece no topo da escala de alocação dos blocos IPv6, principalmente devido ao trabalho do NIC.br, que tem se dedicado ao treinamento de profissionais e na distribuição do protocolo. Porém, se a nova versão não é compatível com a antiga, as operadoras de rede e sites precisam atualizar hardware e software do núcleo da rede para suportá-la. No entanto, a maioria das operadoras, responsáveis por prover trânsito de IPv6 aos datacenters e às empresas em geral, ainda não ofertam serviços com o novo protocolo. Em setembro desse ano, o CGI.br publicou uma nova resolução alertando a todos os provedores e administradores de sistemas autônomos sobre a importância da efetiva migração para o IPv6. A situação é preocupante, já que corremos o risco de que o primeiro lote de usuários IPv6 não consiga acessar boa parte dos sites brasileiros. Para suprir essa defasagem, o NIC.br propõe um cronograma de implantação sugerindo que: 1. As operadoras ofereçam trânsito IPv6 para empresas e provedores; 2. Provedores de acesso implantem o protocolo e provedores de conteúdo migrem para IPv6 o mais rápido possível; 3. Usuários domésticos e corporativos planejem a migração de suas redes. Enquanto as operadoras não cumprem essas etapas e recomendações, é tempo das empresas se prepararem. Para os executivos de companhias que tenham Internet como peça chave no negócio, é fundamental acolher o IPv6 e cobrar ações do seu departamento de TI, além de proporcionar treinamentos aos colaboradores visando a elaboração de um plano de implementação efetivo. Isso é essencial para que a empresa continue a existir, crescer e evoluir sem obstáculos. O IPv6 está aí para solucionar um grave problema contemporâneo. É necessário estarmos preparados para que o atraso em seu uso não dificulte a expansão sustentável da Internet e dos negócios.

Publicado em: 11/12/2013

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